TRABALHO COLABORATIVO
AUTORAL – T.C.A.
História da região do
Jardim São Luiz através da memória de antigos
moradores
Os pesquisadores
devem ter a
consciência
de que uma história de vida
que nós escutamos não é feita para ser
arquivada
ou guardada em uma gaveta como
coisa, existe para transformar
a cidade onde
ela floresceu (...)
Entrevista:
Eclea Bosi-
Revista do Programa de pós-graduação
em Comunicação Social da Faculdade
de Comunicação
e Artes
da PUC
Minas – número 2 - 2012
Introdução
O bairro
Jardim São Luiz está localizado na periferia da Cidade de São Paulo, na zona
sul. É um distrito muito populoso apesar das dificuldades em saúde, transporte, educação, lazer e
segurança. Isso significa que as pessoas continuam vindo pra esta região apesar
das dificuldades já mencionadas. Também
é a região que nossas escolheram para morar, umas há muitos anos, outras há
pouco tempo.
Justificativa
Por não haver
uma história escrita sobre o bairro, nosso grupo de T.C.A. procurou saber
melhor sobre o bairro e passar a mensagem do que construímos como conhecimento
para as pessoas ficarem mais conscientes do bairro onde moram.
Objetivo
O objetivo
deste trabalho foi pesquisar sobre a história do bairro em que moramos e verificar
nas diferenças entre as décadas passadas e os dias de hoje. Para isso,
realizamos pesquisas com os antigos moradores da região e construimos um BLOG para que as pessoas entendam um pouco
melhor nosso TCA. Temos a intenção de
fazer não um trabalho bibliográfico, uma pesquisa bibliográfica, nos livros e
artigos, mas sim levantar a História pela memória dos antigos moradores. Acreditamos
que “a memória pode ser uma fonte de interpretação histórica” ( BOSI, 1994,
p.47).
Metodologia
A metodologia
de pesquisa usada foi entrevistas orais com moradores do bairro, que foram transcritas por nós e postadas em
nosso BLOG. Também organizamos uma roda de conversa com dois moradores que
vieram à nossa escola, nós os entrevistamos, todos fizeram perguntas, nós filmamos essa conversa e postamos no BLOG.
“Um mundo social que possui uma riqueza e uma diversidade que não conhecemos,
pode chegar-nos pela memória dos velhos” (BOSI, 1994, p. 40).
Desenvolvimento
Iniciamos
nossos encontros lendo fragmentos do livro Memória
e Sociedade: Lembranças de Velhos, de
Eclea Bosi, em que percebemos estamos fazendo História, que a história pode ser contada a partir da
memória das pessoas.
Partindo para as entrevistas com antigos
moradores, organizamos as perguntas que faríamos aos entrevistados. Selecionamos
13 perguntas para serem feitas, mas sabíamos que para cada resposta dada pelo
entrevistado novas perguntas podiam surgir. Chegamos a simular uma entrevista
entre nós para perceber que como poderia ser uma entrevista. Saímos a campo.
No próximo
encontro começamos a digitar as entrevistas e partimos para a construção do
BLOG. Usamos o Laboratório de Informática da EMEF Mauro Faccio Gonçalves-
Zacaria em que o POIE Douglas Tomé gentilmente nos ensinou a construir um BLOG
pessoal, à nossa escolha, para depois construirmos o BLOG- História da região
do Jardim São Luiz através da memória de antigos moradores. Trabalhamos duro e conseguimos postar as
primeiras entrevistas.
Nos encontros
nas aula-projetos em nosso horário regular de aula, observamos o mapa do município
de São Paulo. Fizemos exercícios com o mapa, localizamos a regiões de São
Paulo, chamadas zonas. Vimos a Zona Sul, a Represa Guarapiranga, a Avenida Guarapiranga
e a Av. M Boi Mirim, o Rio Pinheiros. Também estudamos sobre a construção da
represa Gaurapiranga em 1907/1908, as mansões à beira da Represa, o surgimento
do Parque Industrial do Jurubatuba com industrias multinacionais e a ocupação
dos bairros próximos à Represa por pessoas das classes populares.
Observando o
terreno baldio que existe em frente a escola e como estava sujo, pensamos em
nos unir para retirar o lixo do terreno.
Dividimos nosso grupo e 4 alunos
e a professora Vilma, calçaram botas e luvas e recolheram 12 sacos de lixo do
terreno. Durante a limpeza passou um
caminhão da Prefeitura com pessoas que limpam esgotos. Aqueles homens
gentilmente colocaram os sacos de lixo dentro do caminhão, passaram o rastelo no terreno e nos ajudaram
com mais um pouco de lixo espalhados. A professora disse: Vocês caíram do céu!
Até a madeira para colocar nossa placa eles fincaram no chão e bateram com
martelo. Nossa placa dizia: a EMEF M’BOI MIRIM II CONSERVA ESTA ÁREA. Esta placa
foi confeccionada em cartolina com letras garrafais pelo grupo que ficou dentro
da escola com a Profª Solange. Foi uma
boa experiência de cidadania!
Diante disso
tivemos a ideia de organizar um ABAIXO-ASSINADO solicitando à Prefeitura que
seja construída uma PRAÇA no lugar do terreno baldio.
Partimos para a coleta das assinaturas. Percebemos que as
pessoas gostaram da ideia e não se negaram a assinar. Mas também ouvimos
observacões de uma mãe que, apesar de assinar, disse que teme que a praça vire
um local de “drogados”.
Preparamos um
grande painel para a MOSTRA DO TCA que aconteceu no dia 08/11/14.

Continuamos a
coleta das assinaturas para a construção da praça. Conseguimos 233 assinaturas
e entregamos o Abaixo-assinado para o prof. José Henrique que é integrante do Conselho
Participativo e vai levar nosso documento á Subprefeitura de M’Boi Mirim. Vamos acompanhar!
Conclusões
Ficamos sabendo bastante coisa do
bairro, que nem imaginávamos. O cemitério era uma Fazendo, tinha boi pastando,
as pessoas chamavam de fazenda mesmo. Tinha uma cachoeira no córrego que passa
atrás da escola, as pessoas vinham nadar ali, vinham moças de biquíni nadar
ali, os meninos gostavam. Era muito
divertido nadar no córrego, era um lugar de lazer. Também contaram que os
vizinhos eram sempre muito unidos, que quando chegava vizinho novo os outros
faziam bolo. Não havia grades nas janelas, não tinha tanta violência. Um dos
entrevistados conta que as pessoas que iam trabalhar passavam dentro do seu
quintal, de manhãzinha, da cama dele, pela janela, ele os cumprimenta, isso era
normal acontecer. Isso mostra que havia mais harmonia, mais tolerância, mais
amizade. A saúde era precária, não tinha UBS, nem
hospital perto. Tinha que andar muito
pra pegar o ônibus, transporte era difícil.
Concluímos que quem morava aqui tinha
muita dificuldade com saúde, transporte e educação, mas que em termos de
violência e lazer era tudo bem melhor que hoje. Então, algumas coisas
melhoraram, outras pioraram.
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