domingo, 23 de novembro de 2014

História da região do Jardim São Luiz através da memória de antigos moradores

TRABALHO COLABORATIVO AUTORAL – T.C.A.
História da região do Jardim São Luiz através da memória de antigos  moradores
Os pesquisadores devem ter a
consciência de que uma história de vida
 que nós escutamos não é feita para ser
arquivada ou guardada em uma gaveta como
 coisa, existe para transformar
a cidade onde ela floresceu (...)
Entrevista: Eclea Bosi-
 Revista do Programa de pós-graduação
 em Comunicação Social da Faculdade
de Comunicação e Artes
da PUC Minas – número 2 - 2012

Introdução
O bairro Jardim São Luiz está localizado na periferia da Cidade de São Paulo, na zona sul. É um distrito muito populoso apesar das dificuldades em saúde,  transporte,  educação,  lazer  e segurança. Isso significa que as pessoas continuam vindo pra esta região apesar das dificuldades já mencionadas.  Também é a região que nossas escolheram para morar, umas há muitos anos, outras há pouco tempo.

Justificativa
Por não haver uma história escrita sobre o bairro, nosso grupo de T.C.A. procurou saber melhor sobre o bairro e passar a mensagem do que construímos como conhecimento para as pessoas ficarem mais conscientes do bairro onde moram.

Objetivo
O objetivo deste trabalho foi pesquisar sobre a história do bairro em que moramos e verificar nas diferenças entre as décadas passadas e os dias de hoje. Para isso, realizamos pesquisas com os antigos moradores da região e construimos um  BLOG para que as pessoas entendam um pouco melhor nosso TCA.  Temos a intenção de fazer não um trabalho bibliográfico, uma pesquisa bibliográfica, nos livros e artigos, mas sim levantar a História pela memória dos antigos moradores. Acreditamos que “a memória pode ser uma fonte de interpretação histórica” ( BOSI, 1994, p.47).

Metodologia
A metodologia de pesquisa usada foi entrevistas orais com moradores do bairro,  que foram transcritas por nós e postadas em nosso BLOG. Também organizamos uma roda de conversa com dois moradores que vieram à nossa escola, nós os entrevistamos, todos fizeram perguntas,  nós filmamos essa conversa e postamos no BLOG. “Um mundo social que possui uma riqueza e uma diversidade que não conhecemos, pode chegar-nos pela memória dos velhos”  (BOSI, 1994, p. 40).

Desenvolvimento
Iniciamos nossos encontros lendo fragmentos do livro Memória e Sociedade: Lembranças de  Velhos, de Eclea Bosi, em que percebemos estamos fazendo História,  que a história pode ser contada a partir da memória das pessoas.
 Partindo para as entrevistas com antigos moradores, organizamos as perguntas que faríamos aos entrevistados. Selecionamos 13 perguntas para serem feitas, mas sabíamos que para cada resposta dada pelo entrevistado novas perguntas podiam surgir. Chegamos a simular uma entrevista entre nós para perceber que como poderia ser uma entrevista. Saímos a campo.
No próximo encontro começamos a digitar as entrevistas e partimos para a construção do BLOG. Usamos o Laboratório de Informática da EMEF Mauro Faccio Gonçalves- Zacaria em que o POIE Douglas Tomé gentilmente nos ensinou a construir um BLOG pessoal, à nossa escolha, para depois construirmos o BLOG- História da região do Jardim São Luiz através da memória de antigos  moradores.  Trabalhamos duro e conseguimos postar as primeiras entrevistas.
Nos encontros nas aula-projetos em nosso horário regular de aula, observamos o mapa do município de São Paulo. Fizemos exercícios com o mapa, localizamos a regiões de São Paulo, chamadas zonas. Vimos a Zona Sul, a Represa Guarapiranga, a Avenida Guarapiranga e a Av. M Boi Mirim, o Rio Pinheiros. Também estudamos sobre a construção da represa Gaurapiranga em 1907/1908, as mansões à beira da Represa, o surgimento do Parque Industrial do Jurubatuba com industrias multinacionais e a ocupação dos bairros próximos à Represa por pessoas das classes populares.
Observando o terreno baldio que existe em frente a escola e como estava sujo, pensamos em nos unir para retirar o lixo do terreno.  Dividimos nosso grupo  e 4 alunos e a professora Vilma, calçaram botas e luvas e recolheram 12 sacos de lixo do terreno.  Durante a limpeza passou um caminhão da Prefeitura com pessoas que limpam esgotos. Aqueles homens gentilmente colocaram os sacos de lixo dentro do caminhão,  passaram o rastelo no terreno e nos ajudaram com mais um pouco de lixo espalhados. A professora disse: Vocês caíram do céu! Até a madeira para colocar nossa placa eles fincaram no chão e bateram com martelo. Nossa placa dizia: a EMEF M’BOI MIRIM II CONSERVA ESTA ÁREA. Esta placa foi confeccionada em cartolina com letras garrafais pelo grupo que ficou dentro da escola com a Profª Solange.  Foi uma boa experiência de cidadania!
Diante disso tivemos a ideia de organizar um ABAIXO-ASSINADO solicitando à Prefeitura que seja construída uma PRAÇA no lugar do terreno baldio.
Partimos para  a coleta das assinaturas. Percebemos que as pessoas gostaram da ideia e não se negaram a assinar. Mas também ouvimos observacões de uma mãe que, apesar de assinar, disse que teme que a praça vire um local de “drogados”.
Preparamos um grande painel para a MOSTRA DO TCA que aconteceu no dia 08/11/14.
Continuamos a coleta das assinaturas para a construção da praça. Conseguimos 233 assinaturas e entregamos o Abaixo-assinado para o prof. José Henrique que é integrante do Conselho Participativo e vai levar nosso documento á Subprefeitura de M’Boi Mirim.  Vamos acompanhar!

Conclusões
Ficamos sabendo bastante coisa do bairro, que nem imaginávamos. O cemitério era uma Fazendo, tinha boi pastando, as pessoas chamavam de fazenda mesmo. Tinha uma cachoeira no córrego que passa atrás da escola, as pessoas vinham nadar ali, vinham moças de biquíni nadar ali, os meninos gostavam.  Era muito divertido nadar no córrego, era um lugar de lazer. Também contaram que os vizinhos eram sempre muito unidos, que quando chegava vizinho novo os outros faziam bolo. Não havia grades nas janelas, não tinha tanta violência. Um dos entrevistados conta que as pessoas que iam trabalhar passavam dentro do seu quintal, de manhãzinha, da cama dele, pela janela, ele os cumprimenta, isso era normal acontecer. Isso mostra que havia mais harmonia, mais tolerância, mais amizade.   A saúde era precária, não tinha UBS, nem hospital perto.  Tinha que andar muito pra pegar o ônibus, transporte era difícil.

Concluímos que quem morava aqui tinha muita dificuldade com saúde, transporte e educação, mas que em termos de violência e lazer era tudo bem melhor que hoje. Então, algumas coisas melhoraram, outras pioraram. 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Entrevista com Maria do Socorro


Oi , meu nome é Jessica , tenho 15 anos e estudo na escola EMEF M’Boi  Mirim II.

Escrevi-me para o projeto TCA (trabalho colaborativo de autoria), sobre a história do meu bairro São Luiz.

Espero que gostem!

 

1)      Qual o seu nome?

Maria do Socorro

2)      Há quanto tempo você mora no bairro?

Há 53 anos.

3)      Data de nascimento? Onde você nasceu?

23/05/1943. Em são Paulo mesmo.

4)      Qual seu endereço?

R: Baltazar Gomes de Azevedo.

5)      Com quem você mora? Onde mora seus parentes?

Moro com meu marido. E meus parentes moram em Salvador.

6)      Onde você trabalha?

Agora trabalho num bar meu mesmo.

7)      Por que você veio morar aqui?

Por que quando eu cheguei aqui eu pensei “vou procurar uma casa confortável”, então achei essa com 5 cômodos.

8)      Como era o bairro quando você veio morar aqui?

Tinha muitas fazendas e cachoeiras, era todo mato.

9) O que mudou no bairro em relação á

*Transportes públicos (antes e depois)?

Antes não tinha ônibus rápido, não tinha peruas escolares. Agora tudo é mais prático.

*Lazer (antes e depois)?

Antes tinha umas praças, mas não tinha tanta graça assim, em minha opinião é claro! Agora tem brinquedos, bancos e muitas árvores em todo lugar (risos).

*Saúde em relação aos hospitais (antes e depois)?

Antes o atendimento já era bom, não era  bagunçado e nem demorado. Agora esta melhor ainda, tem mulheres do SUS que passam na minha casa para ver se esta tudo bem ou marcar consulta.

Entrevista com Carlos Peixoto


ENTREVISTAMOS CARLOS ANTONIO PEIXOTO. CARLOS MORA COM A ESPOSA E SEUS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO, TRABALHA NA ESCOLA EMEF M’BOI MIRIM II. FALA DA SUA INFÂNCIA  E FALA TAMBÉM DE COMO ERA O BAIRRO QUANDO ELE VEIO MORAR AQUI !

CONFIRA ESSA ENTREVISTAS ABAIXO !

 

Entrevista com Carlos Antônio Peixoto

 

1) Qual seu nome?

Carlos Antônio Peixoto

2) Data de nascimento ? Onde nasceu ?

21/11/1965. Em São Paulo mesmo.

3)Qual seu endereço?

Amiens, 68.

4) Com quem você mora ? Onde mora seus outros parentes ?

Carlos mora com a esposa dele e os animais de estimação. Os outros parentes moram em outras ruas e em outros estados.

5)Onde você trabalha ?

Na E.M.E.F. M’ Boi Mirim II.

6)Por que você veio morar aqui ?

Meu pai resolveu morar aqui por que nos morávamos no Jardim Universal.

7)Como era o bairro quando você veio morar aqui?

Quando eu vim morar aqui tinha uns 8 ou 9 anos de idade ,aqui em vez de ter a escola era igual ao interior com cachoeiras, gramados e lagos era muito bonito , era igual o paraíso.

8)O q mudou no bairro em relação a :

Transportes público (como era antes e agora )

Antes não tinha ônibus, tinha que ir La na piraporinha pegar ônibus.

E o lazer? (antes e depois)

Não era asfaltado.

Lazer deles era ficar no lago , piquenique, cachoeira,campo de futebol,parques de diversões e circo.

E a saúde ?

Só tinha os postos de saúde do chácara Santana ,hospital em Santo Amaro ou em lugares longe.

E a segurança / violência?

Menos violência, não tinha muitas escolas, podia deixar os filhos ir e vir da escola sem  preocupação nenhuma.

E a educação ?

Educação boa, agora as pessoas são menos educadas.

E o trabalho ?

 Antes tinha bastante emprego , agora mais ou menos.

E o comércio ?

Não tinha mercados só feiras , agora tem bastante mercados.

9)Como é o relacionamento entre os vizinhos?

Todo mundo era amigo um do outro ,quando um vizinho novo chegava ,eles, os vizinhos velhos com mais tempo que moravam no local, tentavam agradar com bolos, todos os vizinhos se falavam e eram reunidos.

10)Do que você sente falta no bairro ?

Antes tinha mais liberdades não tinha muita violência.

Agora você não tem mais liberdade só vê violência quando liga a TV .

11)Você gosta de morar aqui?

Gosto mas tenho saudades de antes.

12)Você tem fotografias?

Não tenho. Mas minha mãe ainda tem .

Entrevista com Elizete, moradora do bairro há 30 anos.


Entrevistamos a Dona Elizete, que mora no bairro há 30 anos.  Ela veio do interior da Bahia para ajudar sua irmã, que já morava em São Paulo.

Quando veio para cá não tinha tanta diferença do interior porque não tinha água encanada ainda, nem luz elétrica.

O lazer dela era ir ao circo ou parque eletrônico, como era chamado na época, hoje chamam de parque de diversões.

A violência não era tanta, muita das vezes podia sair tranquila, ela conta que tinham poucos hospitais públicos próximos. Esses detalhes são muitos... Você só encontra abaixo, confira!

 

1)Qual o seu nome ?

Elizete Maria

2)Data de nascimento ? Onde você mora?

03/03/1958 – Amargosa (BA)

3)Com quem você mora ? Onde mora seus outros parentes?

Moro com meu marido e meus filhos.

4)Onde você trabalha ou já trabalhou ?

Trabalho de empregada doméstica.

5)Por que veio morar aqui ?

Vim morar aqui pra ajudar minha Irma, a cuidar dos filhos dela.

6)Como era o bairro quando você veio morar aqui ?

Não tinha água encanada, nem luz elétrica, nem asfalto, só tinha árvores e mato.

7)O que mudou no bairro em relação a:

TRANSPORTE PÚBLICO? Pagava em dinheiro, tinha passe, e entrava pela porta de trás. Hoje tem Bilhete Único, não tem mais passe, entra pela porta da frente.

LAZER? Tinha um parque eletrônico (diversões) e um circo.

SAÚDE- Não tinha posto de saúde, tinha hospitais particulares próximos,mas público tinha que ir até Santo Amaro.

SEGURANÇA / Violência- Não tinha tanto assalto tão violento como hoje,tinha assalto, mas quando fosse sair não tinha tanta preocupação igual a hoje, e não tinha tantos tráficos de drogas próximos.

EDUCAÇÃO- Já havia prézinho e escolas.

TRABALHO- Antes não tinha tantas oportunidades, hoje tem mais oportunidades para achar  um emprego melhor.

9)Como é o relacionamento entre vizinhos ?

É bom! Mas não tenho muito relacionamento com eles,tem alguns vizinhos que ajudam quando precisam

10)Do que você sente falta no bairro?

Sinto falta de parques mais próximos, praças...

11)Você gosta de morar aqui ?

Não muito.

12)você tem fotografias ?

Não.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dados do distrito do São Luiz

 Informações
Território de vulnerabilidades - SUBPREFEITURA DE M'BOI MIRIM (Distritos do Jardim São Luiz e Jardim Angela )

Dados Gerais
População Total:  613 mil
Densidade demográfica: 9.770/Km2
Território em área manancial: 70%
População no agrupamento de alta a altíssima vulnerabilidade social: 60%
Nº de favelas:  170 (36 mil domicílios)
Nº de áreas de risco: 50
IDH (Censo 2010) escala de 0 a 1: 0,64
Mèdia de salários de chefe de família: R$ 780,00
Violência: nº de homicídios/100 mil hab: 89
Taxa de analfabetismo: 4,89%
Taxa de evasão escolar: 12,83%

Habitação: Risco e Exclusão na Fronteira Ambiental
Programa Habi-Sul
Sub-bacias Morro do S e Ponte Baixa
Ponte Baixa:
Nº de núcleos/favelas: 65
Nº de famílias: 15.869
Nº de remoções/moradiss necessárias: 3.057


>  Programas De Fase 1

 * Rede de coleta de esgosto ainda lançado na represa
* Atendimento habitancinais para 10.200 familas hoje asssitidas pelo bolsa-aluguel
* abastecimento e agua nao concluido

>  Problemas da fase 2

* Atendimento habitacional a 260 famílias hoje no aluguel-social 
* Concluir obras de saneamento básico
* Concluir pavimentação de vias
* Esgotamentos sanitário
* Rede de energia elétrica e iluminação pública

 > Fase 3 (2013-2015)
 
Lote 1

* 1 núcleo habitacional
* 2.500 Familias envolvidas
* 360 familias em atentimento habitacional

 Lote 2
 * 17 núcleos habitacionais
* 3.075 Familas envolvidas


Lote 3 

* 12 núcleo habitacionais
* 12.467 famiias envolvidas



MOSTRA DO TCA - TRABALHO COLABORATIVO DE AUTORIA

Criamos em grupo
Aprendemos em grupo
Dividimos o trabalho e a responsabilidade
Utilizamos conhecimentos e habilidades de cada um
Estamos nos organizando para ajudar a mudar um pouco a realidade do nosso bairro
 

 

FAZENDO HISTÓRIA

Com o objetivo de que nossos estudos e as entrevistas coletadas em campo tornassem "coisa
pública,  uma interpretação de mundo e a possibilidade de participação nele", e  verificando as consdições do nosso bairro, partimos para limpar o terreno baldio que fica em frente a nossa escola (EMEF M'Boi Mirim II). Nosso objetivo era simplesmente tirar o lixo do terreno e colocar uma singela plaqueta dizendo que nós, da escola, conservávamos aquele terreno. Assim, a intenção era de reprimir a ação de moradores e transeuntes em jogar lixo naquele espaço. No dia da limpeza, tivemos a colaboração de funcionários da prefeitura que passaram em um caminhão de limpeza de esgoto e nos ajudaram com os sacos de lixo.
Após essa ação, surgiu a ideia de organizarmos um ABAIXO ASSINADO para solicitarmos uma praça neste terreno baldio. Estamos, atualmente, recolhendo assinaturas para que possamos enviar aos orgãos competentes  para que nossa solicitação se torne realidade.



 


Produção do blogger.






























Mesa redonda com Maria Lima e Carlos Peixoto.

 Em uma tarde de novembro, recebemos em nossa escola dois convidados para conversamos sobre a historia da vida deles na região do Jardim São Luiz. Fizemos uma mesa redonda com Carlos Peixoto e Maria Lima.
Eles contam muitas coisas surpreendentes e engraçadas que nunca passaram pelas nossas cabeças , algumas nós ja imaginavamos e outras nos surpreenderam.
 Umas delas que nos surpreenderam foi a da cachoeira , que antigamente todos da região tomavam banho na cachoeira e hoje infelizmente é um correago. Eles contam que no tempo que eles iam para a escola , tinham a palmatoria e o Hino nacional era obrigatório , eles também contam que o Cemitério São Luiz era uma Fazenda e que os bois , vacas , cavalos e etc, andavam pelo bairro soltos traquilamente.